O poder do (nosso) espaço

O espaço que possuímos em casa não tem de ser desprovido de personalidade nem carácter, mas deve-se cingir às nossas necessidades e deixar-se habitar pelas peças de que precisamos e com as quais gostamos de conviver.


Esta semana começou um novo ano lectivo. Em breve, o outono e, por ser uma época de mudanças, com ele também chega uma sensação de aconchego, recolha, reflexão.


Foram vários meses de férias e, no caso dos mais novos, recomeço. É o momento de escolhas, selecções e novos princípios, adaptações. Para eles, mas também para nós, após um período de grande agitação.


A pandemia trouxe-nos o escritório para casa de uma forma nunca antes vista, trabalhámos com a família por perto e ajustámos o nosso espaço a essa realidade. A maioria trabalha agora fora de casa, mas todos sabemos que o tele-trabalho ganhou espaço no mercado profissional e que, mesmo não tendo uma divisão da casa que sirva de escritório, precisamos de ter condições físicas para o fazer, precisamos de espaço, precisamos de o organizar. Não é excepção com os mais pequenos.


Acredito que quem trabalha, estuda, pinta, é que sabe o que necessita, com que objectos se sente bem e onde poderão surgir objectos de distração. Por isso, no seu local de trabalho, viva o espaço, sinta cada centímetro porque passará várias horas do seu dia a conviver com as suas escolhas.


Permita-se sentir o que lhe traz conforto, o que adora e o que lhe traz segurança nesse espaço. Os objectos trazem emoções (e nós só queremos as positivas) por isso façamos com que a imaginação, criatividade e a aquisição de conhecimento, caminhem lado a lado com o que nos aquece a alma.


Poderá fazê-lo com qualquer espaço de trabalho mas fazê-lo com os mais novos é sempre um óptimo momento de partilha de espaço. Físico e emocional.


• 2021, Zona de trabalho de um menino de 8 anos © MonDom


Chame o seu filho. (Se tiver mais do que um, sugiro que o faça com cada um, para que seja um momento especial e sincero). Dispendam algum tempo a olhar (de uma forma prática e emocional) para o ambiente que o circunda. Dê espaço e tempo para que ele faça o mesmo.


Sabendo que o espaço é para ser vivido, retirem tudo o que estiver perto da zona de trabalho e limpem a superfície. Sim, limpem em conjunto. Ao limparem darão valor ao que os rodeia e entendem a importância de cuidarem do que é seu. Os pais também conhecerão mais um pouco dos objectos que povoam o coração de quem amam e os filhos sentir-se-ão amados como nunca. Um momento a sós. :)


Agora, um por um, deixe-o selecionar o que pretende que fique, guiando-o sempre que entender que está a repetir algum tipo de objecto, ou a ficar com algo estragado ou incompleto só pelo valor sentimental. Mantenha os ouvidos sempre alerta para entender porque os seleciona. Os que lhe trazem bem-estar, segurança e conforto. Respeite o seu espaço e possibilite o seu crescimento emocional.


Por aqui acabamos por ter de o fazer duas vezes ao ano, ainda são pequenos e acumulam muito sem pensar no seu propósito. Mas quando param, sentem e sabem. Acredite que eles sabem. Sinta o poder que tem um espaço, pensado e trabalhado especialmente para si! Bons recomeços!


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